Goth
O gótico é um sistema de indumentária. Peças, cosméticos, cabelos e acessórios metálicos formam um regime único de apresentação. Tudo orbita a escuridão e a teatralidade. A estética da mortalidade é o foco central. O estilo surgiu na cena pós-punk do Reino Unido no final dos anos 1970. Bandas, clubes e público criaram uma linguagem visual própria. Ela funde o luto vitoriano com a colagem punk. Usa o vocabulário do BDSM e a iconografia do cinema de terror. O gótico opera por uma lógica de inversão semiótica. Elementos vistos como mórbidos ou transgressores tornam-se belos. São símbolos de identidade e pertencimento.
Em termos materiais
A coerência do gótico depende de uma paleta têxtil específica. Couro, veludo, renda, PVC, rede e algodão tingido de preto. O uso ocorre sob condições ambientais severas em casas noturnas. Calor intenso e umidade alta. Fumaça e contato com álcool. Fricção constante na pista de dança. São condições tão exigentes quanto as de contextos esportivos. As peças são avaliadas pela forma como sobrevivem e envelhecem. O desgaste desenvolve caráter subcultural. Uma jaqueta de couro amaciada por anos de uso comunica compromisso. Uma jaqueta nova e rígida não possui o mesmo valor de vivência.
No nível da categoria
O gótico ocupa um espectro entre autenticidade e acessibilidade comercial. Versões de alta fidelidade usam peças customizadas e guarda-roupas de veteranos da cena. O valor está no conhecimento incorporado. Escolha correta de materiais e domínio das referências musicais e visuais. Versões comerciais reproduzem a gramática visual em escala de massa. Operam em outro nível de especificidade e fundamento histórico. Essa estratificação é central para o discurso do grupo. A autenticidade não é julgada apenas pela cor preta. Ela depende da profundidade do engajamento que o traje demonstra.
Metodologicamente
Esta análise trata o gótico como um sistema integrado de modificação corporal. Roupas, cosméticos e acessórios são componentes interdependentes. São avaliados pelo desempenho no uso subcultural. Codificam o conhecimento comunitário e o compromisso estético.
Etimologia
O termo deriva de gótico. Possui uma história migratória complexa entre disciplinas. Na arquitetura, designa o estilo medieval de arcos pontiagudos e abóbadas nervuradas. Foi um termo pejorativo criado no Renascimento para associar o estilo aos bárbaros godos. Na literatura, define o gênero de horror sobrenatural e atmosfera densa. Na música, foi aplicado a bandas pós-punk no final dos anos 1970. Críticos descreveram o som sombrio como gótico em 1979. Bauhaus, Siouxsie and the Banshees e The Sisters of Mercy consolidaram a cena.
A moda herda essas três genealogias simultaneamente. A verticalidade da arquitetura. A obsessão literária pela morte e pelo declínio. A paleta sonora do pós-punk com guitarras densas e vocais profundos. Essa herança tripla dá ao gótico uma infraestrutura cultural densa. Isso o distingue de estéticas puramente derivadas de tendências passageiras.
No discurso interno, o termo serve para demarcar limites. A aplicação correta exige demonstrar conhecimento da genealogia musical. Adotar o visual sem entender a música é visto como um figurino turístico. Conhecimento musical é o critério de autenticação. Esse critério estrutura a hierarquia interna da comunidade.
Subcultura
O gótico se cristalizou em locais e datas específicas. A estrutura comunitária foi moldada pela noite e pela produção cultural independente.
A cultura de clube como instituição fundadora. O Batcave abriu em 1982 no Soho de Londres. É o local de nascimento reconhecido da cena. Oferecia bandas ao vivo, filmes de terror e cabaré. O dress code incentivava o exagero e a elaboração. O local era institucional. Música, moda e identidade social se produziam em tempo real. O indivíduo não chegava pronto ao Batcave. Ele se tornava gótico pela participação no ambiente. Aprendia os códigos por observação. Absorvia o conhecimento pela exposição semanal.
Esse modelo criou uma economia de expertise. O conhecimento é conquistado pela presença física e longevidade na cena. A hierarquia opera por evidências visíveis de esforço. Qualidade do traje e reconhecimento de referências musicais. Acúmulo de relações temporais com o grupo. Plataformas digitais diluíram esse modelo de transmissão direta.
Fragmentação e codificação de estilos. No final dos anos 1980, o gótico diversificou-se em subestilos distintos:
- Trad goth: O modelo original de 1982 a 1986. Pós-punk, cabelo desfiado, couro e rede. Botas Dr. Martens e camisetas de banda.
- Gótico Romântico / Vitoriano: Elabora a referência ao luto vitoriano. Usa espartilhos, cartolas, veludo e joias ornamentadas.
- Deathrock: O paralelo americano com influência punk explícita. Tecidos rasgados, alfinetes e moicanos pretos.
- Cybergoth: Fusão com a cultura rave e industrial. Cores neon, PVC, máscaras de gás e botas de plataforma massivas.
- Mall goth: Versão comercial dos anos 2000. Calças largas com correntes e camisetas de bandas de metal alternativo. Porta de entrada para milhões de jovens.
- Nu-goth / Pastel goth: Reinterpretação da era Tumblr. Mistura símbolos ocultistas com tons pastéis e influências fofas.
Cada subestilo possui sua própria hierarquia de autenticação. No trad goth, o conhecimento musical é a credencial principal. No gótico romântico, a precisão histórica e a construção das peças determinam o status. No cybergoth, a engenharia dos acessórios customizados confere expertise. Essas hierarquias coexistem em tensão. Festivais como o Wave-Gotik-Treffen funcionam como eventos de reunificação. São o equivalente a feiras setoriais onde os padrões de estilo são demonstrados e reforçados.
História
A história do gótico começa no pós-punk sob as condições econômicas da Grã-Bretanha dos anos 1970. Cada fase produziu inovações materiais e dinâmicas comerciais que moldaram a estética.
Substrato pós-punk e escuridão inicial (1977 a 1981). A linguagem visual surgiu da margem sombria do pós-punk. Joy Division trouxe a apresentação austera e o design minimalista. Siouxsie Sioux introduziu a maquiagem inspirada no Egito e o estilo bondage. O Bauhaus trouxe a teatralidade e a performance física. A estética ainda não era chamada de gótica, mas os componentes estavam lá. Preto como cor padrão. Apresentação andrógina. Referências literárias e DIY a partir de lojas de caridade.
A recessão britânica foi crítica. Roupas novas eram inacessíveis. Isso impulsionou o uso de brechós e excedentes militares. A necessidade gerou a estética da colagem. Peças de luto vitoriano e botas militares tornaram-se a base material do estilo.
Era Batcave e cristalização subcultural (1982 a 1986). O Batcave formalizou a escuridão pós-punk em uma cena consciente. Bandas como The Sisters of Mercy e The Cure contribuíram com elementos visuais que o público adotou. A economia material era de escassez e engenhosidade. Roupas específicas quase não existiam. Os participantes montavam guarda-roupas com achados de brechó e modificações manuais. O traje era evidência de investimento pessoal e trabalho criativo.
Expansão comercial e tensão (1987 a 2000). O impacto visual chegou ao mainstream via videoclipes e o cinema de Tim Burton. Surgiu o varejo dedicado ao gótico. Marcas começaram a oferecer peças prontas. O pronto-para-vestir eliminou o esforço criativo do DIY. O cruzamento com o gênero industrial trouxe estéticas mais duras e militares. O cybergoth surgiu como fusão com a cultura rave no final dos anos 1990.
Comoditização e absorção pelas passarelas (2000 a 2010). Lojas de shopping nos EUA venderam o visual para milhões de adolescentes. O mall goth era visto como inautêntico pelos veteranos. Mas introduziu o vocabulário visual para uma nova geração. Simultaneamente, a alta moda absorveu a linguagem gótica. Alexander McQueen traduziu a obsessão pela morte em espetáculo de alta costura. Rick Owens desenvolveu o glunge como vocabulário de drapes monocromáticos e silhuetas distorcidas. O gótico passou a ser estudado como patrimônio cultural em museus.
Revival de plataformas e pós-subcultura (2010 até o presente). O Tumblr gerou estéticas como o pastel goth. O TikTok trouxe conteúdos de transformação gótica que mostram o trabalho de preparação. A série Wednesday da Netflix disparou um novo ciclo de consumo. O varejo de massa produz coleções pretas etiquetadas como góticas. Enquanto isso, a infraestrutura dedicada da cena sobrevive. Noites góticas e comunidades online preservam os critérios de avaliação contra a diluição digital.
Silhueta
A silhueta gótica é governada por uma lógica de verticalidade teatral. Combina engenharia vitoriana e destruição punk. É um sistema feito para ser lido sob luzes de clubes e proximidade de palco.
Verticalidade e alongamento. O gótico enfatiza proporções verticais. Cabelos altos e desfiados adicionam altura significativa. Saias e casacos longos criam linhas verticais contínuas até os tornozelos. Calçados de plataforma são soluções de engenharia para o problema da altura. Adicionam estatura sem a instabilidade de saltos finos. Permitem movimento prolongado em pistas de dança. A verticalidade referencia tanto a arquitetura de catedrais quanto a estética funerária de lápides.
Espartilhos e engenharia do torso. O espartilho é a peça estrutural do gótico romântico. Modelos funcionais usam barbatanas de aço para rigidez e flexibilidade. Reduzem a cintura natural e redistribuem o tecido mole do corpo. Criam a silhueta de ampulheta citada da moda vitoriana. A engenharia funcional distingue o espartilho real de tops decorativos. Ele altera a estrutura corporal sob uso prolongado.
Camadas e profundidade de textura. O uso de camadas cria profundidade visual pelo contraste de materiais. Renda sobre veludo. Rede sob o couro. Tecidos transparentes revelam e ocultam simultaneamente. Esse jogo de transparência é central para a lógica corporal gótica. Referencia tanto a modéstia vitoriana quanto a exibição do BDSM. Cria complexidade visual em ambientes de baixa luminosidade.
Variações de subestilo. O trad goth prefere proporções punk modificadas. O gótico romântico usa proporções vitorianas. O cybergoth adota formas arquitetônicas industriais com peças estruturadas em PVC. Cada silhueta corresponde à sua referência musical e cultural de origem.
Materiais
A seleção de materiais no gótico opera sob condições específicas. Calor ambiente elevado em clubes. Humidade por transpiração. Exposição à fumaça e álcool. Atividade física intensa. Os materiais são avaliados pela forma como performam e ganham caráter sob essas condições.
Couro. É o principal material de prestígio. Jaquetas de motociclista, calças e espartilhos usam couro de vaca ou ovelha. O couro legítimo desenvolve pátina rica com o uso frequente. Absorve óleos corporais e suor. O amaciamento mecânico registra a história física do usuário. Couros sintéticos de baixa qualidade descascam e quebram sob o calor do clube. São lidos como indicadores de baixo investimento por membros experientes.
Veludo. Oferece riqueza tátil e absorção de luz. O veludo de seda é o padrão histórico de luxo. Possui caimento fluido mas é frágil. Amassa sob pressão e é difícil de limpar. O veludo de algodão é mais durável. Versões sintéticas resistem melhor ao esmagamento mas perdem em profundidade visual. O veludo retém calor corporal e odores. O desgaste nos pontos de fricção é aceito como prova de vivência na cena.
Renda. Proporciona a dinâmica de transparência e opacidade. Rendas finas aparecem em peças de alto nível e construções românticas. A fragilidade do material é culturalmente produtiva. Rendas que mostram desgaste e pequenos reparos comunicam profundidade temporal. A peça sobreviveu ao uso prolongado.
PVC e Vinil. Alternativas sintéticas que oferecem alto brilho e contorno corporal. Remetem ao estilo BDSM. O PVC é à prova d'água e fácil de limpar. No entanto, é desconfortável em locais quentes por não permitir a respiração da pele. Falha com o tempo através de rachaduras na superfície e perda de flexibilidade.
Rede. Tecido de trama larga que serve como elemento de sobreposição. Referencia a transgressão e a exibição corporal. A cultura gótica frequentemente abraça desfiados e rasgos como estética deliberada em vez de defeito.
Tingimento preto como sistema. O preto é o tratamento material fundacional. Obter um preto profundo e consistente em diferentes tecidos exige processos químicos variados. O desbotamento é o desafio constante. Peças premium usam fixação técnica que resiste mais tempo. O sobretingimento de peças desbotadas é uma prática de manutenção comum. Prolonga a vida visual do guarda-roupa.
Paleta de Cores
O preto não é uma escolha de moda. É um compromisso material e filosófico. É a condição base da qual toda cor opera como um desvio. No gótico, o preto carrega significado. Referencia o luto, a noite, a morte e o desconhecido. Rejeita o otimismo cromático da cultura diurna.
Dentro da base preta, cores de acento possuem códigos específicos. Borgonha e vinho remetem ao luto vitoriano e ao sangue. Roxo profundo referencia a realeza e o oculto. Esmeralda remete ao veneno e forças preternaturais. O branco intenso oferece contraste e referencia a palidez da morte. O prata é o metal de prestígio. É preferido ao ouro por remeter ao luar e à frieza da morte. O cybergoth introduziu cores fluorescentes como transgressão à austeridade tradicional.
Detalhes
Os detalhes são sistemas de interface de modificação corporal. Transformam a aparência e comunicam conhecimento subcultural.
Sistemas cosméticos. A maquiagem não serve para realçar traços naturais. Ela constrói um rosto alternativo. É uma máscara pintada que anuncia sua própria artificialidade.
- Base: Tons pálidos referenciam o vampirismo e a estética vitoriana. Exigem alta opacidade e acabamento opaco.
- Maquiagem dos olhos: É o elemento tecnicamente mais exigente. Delineador preto pesado define o olhar em luzes baixas. Sombras escuras criam profundidade. A habilidade na execução sinaliza competência estética.
- Lábios: Tons pretos, vermelhos profundos ou roxos completam a construção facial.
O sistema cosmético é tradicionalmente sem gênero. Homens e mulheres participam dessa construção desde o início da cena. Isso antecede a cultura de beleza neutra em décadas.
Ferragens e ícones. Joias em tons prateados carregam conteúdo iconográfico. Ankhs, cruzes, pentagramas, serpentes e morcegos. Gargantilhas de couro ou veludo referenciam o luto e o fetiche. Ferragens em roupas como alfinetes, correntes e rebites derivam do DIY punk. Cada tipo de metal carrega uma ressonância. Argolas e fivelas remetem a sistemas de restrição bondage.
Camisetas de banda. Funcionam como declarações de lealdade musical. São reivindicações de conhecimento. Usar uma estampa específica não é apenas estilo. É uma afirmação de letramento musical que a comunidade pode testar em conversas. Peças vintage comunicam tempo de permanência na cena através do algodão desgastado.
Acessórios
Calçados. Botas Dr. Martens pretas são o padrão do trad goth. São duráveis e carregam um legado subcultural. Winklepickers de bico fino oferecem uma alternativa elegante. Botas de plataforma massivas fornecem a engenharia necessária para a verticalidade gótica. A qualidade é avaliada pela construção da sola e durabilidade do couro.
Acessórios dramáticos. O gótico romântico incorpora itens de inspiração vitoriana. Sombrinhas pretas, bengalas, leques de luto e luvas de renda. São objetos de exibição com função prática limitada. Servem como superfícies adicionais para comunicação de estilo.
Lógica Corporal
O corpo gótico é um artefato construído. É uma superfície a ser refeita para rejeitar padrões de beleza convencionais. O corpo é pálido onde a cultura exige calor. É teatral onde se exige naturalismo. É andrógino onde se exige legibilidade de gênero.
Essa construção não é escondida. Ela é exibida. O rosto gótico é visivelmente pintado. O cabelo é visivelmente manipulado. O esforço é a própria estética. O gótico torna a performance da beleza visível ao recusar naturalizar sua própria construção.
A apresentação de gênero no gótico excede o discurso contemporâneo. Homens usando maquiagem, saias e espartilhos era prática comum no Batcave em 1982. A comunidade adotou a fluidez como rejeição à aparência normativa.
O corpo gótico opera também por referência à mortalidade. Palidez e estilização espectral reconhecem a realidade da morte. A cultura de beleza convencional nega o fim em favor do vigor. O corpo gótico torna esse reconhecimento belo em vez de aterrorizante.
A convenção da palidez surgiu em um contexto britânico. No entanto, o gótico reflete hoje uma comunidade global. Góticos retintos alcançam efeitos cosméticos marcantes através de técnicas específicas. A linguagem visual evolui para refletir essa diversidade.
Lógica da Vestimenta
A construção de vestuário gótico abrange três modos de produção com prioridades distintas.
DIY e construção de cena. É o modo de produção que mais confere autenticidade. Peças são montadas a partir de brechós, excedentes militares e itens de fetiche. As habilidades de costura, tingimento e trabalho em couro são transmitidas entre pares. Costuras manuais e evidências de modificação são valorizadas como marcas de investimento pessoal.
Produção comercial subcultural. Marcas dedicadas produzem peças góticas em escala. A construção segue padrões comerciais com tecidos predominantemente sintéticos. A crítica interna é que essas marcas produzem figurinos em vez de cultura. Peças prontas carecem da história pessoal e do investimento material do DIY.
Gótico de passarela. Designers como Alexander McQueen e Rick Owens traduziram a linguagem gótica para o luxo. Usam materiais premium e construção de alta costura. A relação com a subcultura é de preservação da gramática visual enquanto o contexto de produção muda totalmente.
Manutenção. Peças góticas exigem cuidados específicos. O couro precisa de hidratação após a exposição ao calor dos clubes. O veludo deve ser armazenado pendurado para evitar marcas permanentes. O PVC exige limpeza superficial e distância do calor para não rachar. Rendas exigem lavagem manual suave.
A manutenção do tingimento preto é o desafio mais persistente. Guarda-roupas góticos estão em negociação perpétua com o desbotamento. O sobretingimento doméstico prolonga a vida das peças. A inevitabilidade do desbotamento cria um gradiente temporal. Peças antigas registram a história do usuário através de tons de cinza ou bordeaux.
Temas
Os temas dominantes incluem a morte como memento mori. O luto vitoriano como referência histórica codificada. A melancolia romântica como registro emocional. O simbolismo ocultista como atalho visual para literatura e horror. A música permanece como o fundamento da identidade.
O gótico é a subcultura que se recusa a morrer. Ele performa sua própria imortalidade através da persistência de sua infraestrutura social. É o vampiro das subculturas de moda. É declarado morto a cada década. Ressurge em todas elas alimentando-se da alienação de novas gerações.
Referências Culturais
Cinema: Nosferatu (1922) estabeleceu o vocabulário visual do gótico cinematográfico. Fome de Viver (1983) forneceu o espelho mais direto para a cena. Trouxe David Bowie, ankhs e a performance do Bauhaus. O Corvo (1994) tornou-se o ícone comercial mais bem-sucedido. Drácula de Bram Stoker (1992) restaurou a riqueza visual vitoriana ao gênero. A obra de Tim Burton constitui o engajamento mais contínuo do mainstream com essa estética.
Televisão: Família Addams e Os Monstros criaram modelos cômicos que normalizaram a estética sombria. Wednesday (2022) disparou o ciclo de adoção mais recente entre jovens.
Música: Bela Lugosi's Dead (1979) do Bauhaus é o texto fundacional. Álbuns de Siouxsie and the Banshees, The Sisters of Mercy e The Cure formam o cânone musical. São referências compartilhadas para autenticar o pertencimento à cena.
Marcas e Designers
Raízes na Cena e Subcultura:
- Specimen / Batcave-era DIY (1982): a produção original da moda goth. Peças feitas à mão. Produção comunitária voltada para clubes específicos.
- Kambriel (fundada nos anos 1990): alta-costura gótico-vitoriana artesanal. Uma das primeiras designers dedicadas à cena. Uso de veludo, seda e brocado.
- Gallery Serpentine: grife australiana de estética gótico-vitoriana. Foco em espartilhos e trajes formais com referências históricas.
- Plastik Wrap: peças subculturais em PVC. Estética próxima ao fetiche.
- Ipso Facto (Fullerton, Califórnia): varejo e produção com longa trajetória na cena americana.
Varejo Gótico Comercial:
- Killstar (fundada em 2010, Reino Unido): varejista dominante no ambiente online. Estética oculta em camisetas gráficas, vestidos e acessórios.
- Punk Rave (fabricante chinês): peças voltadas para o mercado de massa. Distribuição em grandes plataformas de moda alternativa.
- Dolls Kill (fundada em 2011, São Francisco): marketplace de moda alternativa. Inclui subculturas goth, rave e de festivais.
- Cyberdog (Camden, Londres): varejo focado na estética cybergoth. Roupas que reagem à luz UV. Botas plataforma e acessórios sintéticos.
Calçados:
- Dr. Martens (1960, Wollaston, Inglaterra): modelos 1460 e 1914. Calçado fundamental para o estilo trad-goth. Solado com amortecimento a ar. Herança nas cenas punk e skinhead.
- Demonia (divisão da Pleaser USA): botas plataforma das séries Camel, Shaker e Stack. Soluções de altura para a silhueta goth.
- New Rock (1978, La Palma, Ilhas Canárias): séries Reactor e Tower. Detalhes em metal pesado. Construção robusta em couro e borracha.
- Underground (Londres): creepers e botas de bico fino. Conexão entre as tradições do calçado punk e gótico.
Passarela e Alta Moda:
- Alexander McQueen: o macabro e o espetacular. A morte interpretada como alta-costura. Lenços com estampa de caveira.
- Rick Owens: definição do estilo glunge (gótico + grunge). Silhuetas monocromáticas com distorção arquitetônica. Drapeado brutalista.
- Ann Demeulemeester: noir lírico. Assimetria poética. O uso de couro e renda como vocabulário visual.
- Yohji Yamamoto: drapeado em paleta preta. Alfaiataria desconstruída. Escuridão formal japonesa.
- Gareth Pugh: gótico teatral e arquitetônico. Silhuetas infláveis. Proporções extremas.
- Olivier Theyskens: escuridão romântica. Passagens pela Nina Ricci e Theory levaram o gótico ao mercado de luxo.
- Rodarte (Kate e Laura Mulleavy): têxteis inspirados em filmes de horror. Tricôs que remetem a teias de aranha.
Porta de Entrada para o Mercado de Massa:
- Hot Topic (1989, Montclair, Califórnia): o ponto de entrada comercial mais influente. Popularizou a linguagem visual gótica em shoppings americanos.
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